Lavoisier – O Pai da Química Moderna

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Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794)
Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794)

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Por Jennifer Rocha

Antoine Laurent Lavoisier nasceu em Paris em 26 de agosto de 1743. Era filho de um rico advogado e, por isso, foi bem educado. Seu brilhantismo mostrou-se logo cedo, quando, aos 22 anos, fez um projeto de iluminação para as ruas de Paris e ganhou a sua primeira medalha de ouro da Academia Real de Ciências da França.

Apenas aos 25 anos foi eleito membro dessa prestigiosa Academia. Ele se casou aos 26 anos com Marie-Anne, que tinha apenas 13 anos de idade. Porém, ela não se tornou apenas sua esposa, mas também sua assistente. Era ela quem traduzia trabalhos científicos e filosóficos para as pesquisas de Lavoisier.

Na imagem abaixo vemos um retrato famoso de Marie-Anne inclinada sobre Lavoisier com a mão levemente pousada sobre o seu ombro. Enquanto ele está com o rosto meio virado, contemplando Marie-Anne.

Retrato de Lavoisier e Marie-Anne em laboratório
Retrato de Lavoisier e Marie-Anne em laboratório

Lavoisier é muitas vezes chamado de o “pai da Química Moderna”. Isso se deve ao modo de trabalhar detalhista que Lavoisier adotou e que serviu de modelo para os próximos cientistas. Ele era muito cuidadoso, anotando suas observações de forma detalhada, planejando muito bem seus experimentos. Além do aspecto qualitativo, ele também relacionava precisamente o aspecto quantitativo dos experimentos, pois fazia bom uso de balanças, realizando pesagens e medições cuidadosas.

Balança de pratos usada por Lavoisier[1]
Balança de pratos usada por Lavoisier[1]

Tudo isso fez com que ele conseguisse explicar fatos que outros cientistas não conseguiram. Por exemplo, ele conseguiu relacionar o processo de respiração com o processo de combustão, pois o gás que ele denominou de “oxigênio” era essencial nesses dois processos. Esse nome vinha do grego oxy, que significa “ácido”, e gen, “gerador ou produtor”.

Ao explicar que a combustão ocorria somente com a presença de oxigênio, ele derrubou a teoria do flogístico, de Georg Ernst Stah, que dizia que os materiais combustíveis possuíam um princípio comum inflamável presente apenas nos materiais combustíveis. Se algum material não queimasse, é porque não teria flogístico em sua composição.

Além disso, Lavoisier observou a quantidade total de matéria que havia antes e depois das reações de combustão e ele mostrou que a massa total dos reagentes era exatamente igual à massa total dos produtos quando a reação se realizava em um recipiente fechado. Com isso, ele criou a sua lei mais famosa, a Lei de Conservação das Massas ou Lei de Conservação da Matéria, também chamada de Lei de Lavoisier. Atualmente, essa lei é mais conhecida pelo seguinte enunciado:

Na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma.”

Nesse princípio, Lavoisier demonstrou que toda a essência da química é a transformação. Ele também mostrou que essas transformações seguem princípios quantitativos bem precisos e definidos.

Outra façanha de Lavoisier foi lançar, em 1789, o Tratado Elementar de Química, que não usava a linguagem obscura da alquimia, mas sim uma nomenclatura moderna para 33 elementos*, o que derrubou a teoria de Aristóteles, que perdurou por mais de 2000 anos, de que tudo seria composto apenas por 4 elementos, água, terra, fogo e ar.

Antoine Lavoisier também mostrou que as moléculas de água eram formadas por duas partes de hidrogênio e uma parte de oxigênio. Outra descoberta sua foi que o metabolismo animal era uma espécie de combustão interna, em que o carbono e o hidrogênio absorvidos dos alimentos reagiam com o oxigênio para produzir CO2 e água.

Infelizmente, Lavoisier morreu muito novo, com apenas 51 anos de idade, e de uma forma trágica, sendo guilhotinado. Ele havia feito um investimento na Ferme Générale, uma empresa privada que cobrava impostos do povo. Apenas uma parte desses impostos ia para o rei, sendo que o restante era dividido entre os acionistas, o que incluía Lavoisier. Ele fez isso para custear as suas pesquisas.

No entanto, quando a Revolução Francesa se iniciou, derrubou-se a ordem política do feudalismo e da monarquia que era a que vigorava. Como consequência, os membros da Ferme Générale foram acusados de peculato e de inimigos do povo. Apesar dos apelos de inúmeros cientistas da França, Lavoisier foi preso e posteriormente morto em uma guilhotina no dia 08 de maio de 1794.

Como disse o matemático francês Joseph-Louis Lagrange quando soube de sua morte:

Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair em um segundo”.

As propriedades de Lavoisier foram confiscadas e Marie-Anne foi presa. Quando ela foi solta, com as anotações dos trabalhos de seu falecido marido, publicou a obra Memórias de Química, em 1805.

Pelo menos o seu legado foi resguardado, seu laboratório está preservado no Musée des Arts et Métiers, em Paris.

Laboratório de Lavoisier, Musée des Arts et Métiers, em Paris[2]
Laboratório de Lavoisier, Musée des Arts et Métiers, em Paris[2]

* Atualmente, sabemos que na verdade os elementos enunciados por Lavoisier eram substâncias. Além do mais, ele relacionou a luz e o calor como elementos químicos.

[1] Crédito editorial pela imagem: Jorge Royan  Wikipedia Commons
[2] Crédito editorial pela imagem: Edal Anton Lefterov/ Wikipedia Commons

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