Acidente com Césio-137

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Símbolos como este eram vistos em áreas contaminadas pelo césio-137 em Goiânia
Símbolos como este eram vistos em áreas contaminadas pelo césio-137 em Goiânia

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Por Jennifer Rocha

Em 1987, Goiânia, Goiás, entrou para a lista de acidentes radioativos que assustaram pessoas no mundo inteiro. Ocorreu que um hospital, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), sofreu uma ação de despejo e foi desativado. Uma cápsula contendo césio-137 que era usada em um aparelho de radioterapia não sofreu o descarte correto e acabou abandonada no local.

Dois catadores de lixo encontraram essa bomba de césio-137, que foi violada e vendida como ferro-velho. No interior do aparelho havia cloreto de césio-137 (CsCl), um sal que emite uma luminosidade azul muito bonita, principalmente no escuro. O rompimento da blindagem protetora acarretou a liberação do material radioativo. O sal de césio-137 foi retirado e, visto que as pessoas ficaram maravilhadas com sua luminescência, começaram a passá-lo de mão em mão, espalhando entre amigos e parentes a contaminação silenciosa.

Visto que o sal cloreto de césio-137 era um pó azul brilhante no escuro, as pessoas ficaram encantadas e até o passaram em partes do corpo
Visto que o sal cloreto de césio-137 era um pó azul brilhante no escuro, as pessoas ficaram encantadas e até o passaram em partes do corpo

Em apenas algumas horas essas pessoas começaram a sentir os primeiros sintomas: náuseas, vômitos, tonturas e diarreia. Não sabendo do que se tratava, quando procuravam tratamento médico, elas eram medicadas como se estivessem com uma doença infectocontagiosa. Só se descobriu a razão da contaminação quando a esposa de Devair Alves Ferreira (dono do ferro-velho que comprou a cápsula) levou parte da bomba para a sede da Vigilância Sanitária.

Aproximadamente 249 pessoas foram examinadas com detectores de radioatividade. Entre essas pessoas, 120 tomaram banho com água, sabão e vinagre para serem descontaminadas e foram mandadas embora para casa. 129 passaram a ser monitoradas, sendo que 79 estavam com contaminação externa e 14 foram enviadas para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, com um quadro grave de contaminação.

Quatro pessoas morreram, a primeira foi Leide das Neves, sobrinha de Devair, que tinha apenas 6 anos de idade e que chegou a ingerir algumas partículas de césio-137 com pão. A segunda foi a tia de Leide das Neves e esposa de Devair, Maria Gabriela das Graças Ferreira. Ambas foram enterradas em caixões de chumbo de 700 kg.

As outras duas vítimas foram Israel Batista dos Santos, de 22 anos, e Admilson Alves Souza, de 17 anos, ambos funcionários do ferro-velho de Devair.

Infelizmente, as pessoas que passaram por essas descontaminações começaram a ser tratadas com desprezo e preconceito por muitos.

Até mesmo crianças que nasceram depois do acidente tiveram problemas de saúde. Houve cerca de 60 mortes posteriores. A Associação de Vítimas do Césio-137 estima que cerca de 6 mil pessoas foram atingidas pela radiação.

Esse acidente gerou cerca de 7 toneladas de rejeitos, que envolveram desde os resíduos gerados no hospital e no ferro-velho até plantas, animais, objetos pessoais, materiais de construção e outras coisas da vizinhança que tiveram contato com o sal de césio-137.

Esses rejeitos foram concentrados em tambores envoltos com concreto e cobertos por concreto e vegetação em um repositório em Abadia de Goiás (GO).

Esse episódio é um lembrete de como a negligência na questão do descarte correto do lixo atômico, agravado pela falta de conhecimento da população, pode levar a uma tragédia incalculável.


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

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