Vidrarias de laboratório

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Algumas vidrarias indispensáveis em um laboratório são o béquer, o erlenmeyer e o balão de fundo chato mostrados acima
Algumas vidrarias indispensáveis em um laboratório são o béquer, o erlenmeyer e o balão de fundo chato mostrados acima

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Por Jennifer Rocha

Um grande recurso que facilita a construção dos conceitos de Química, além da compreensão e correlação entre os diversos conteúdos das ciências, é a experimentação, em que é possível vivenciar e observar na prática esses conhecimentos. Mas antes de realizar experimentos no laboratório de Química, é preciso primeiro saber qual é a finalidade de cada uma das vidrarias de laboratório e como utilizá-las.

Primeiramente, esses equipamentos são chamados assim porque eles são feitos de um vidro cristal ou temperado que contém graduações em sua superfície externa. Esse tipo de vidro não reage com a maioria das substâncias usadas em laboratório e pode ser submetido ao aquecimento direto ou indireto sem quebrar. A fim de adquirir essa resitência mecânica ao calor, ao choque térmico e aos produtos químicos, costuma-se agregar um tipo de vidro especial que é o vidro borossilicato, em que é adicionado boro aos constituintes do vidro comum. O vidro borossilicato possui coeficiente de dilatação menor que o do vidro comum e menor densidade, sendo, portanto, mais leve. Além disso, seu ponto de fusão é maior. Visto que esse vidro é mais trabalhado, ele é também mais caro e, por isso, essas vidrarias devem ser manuseadas com muito cuidado.

Existem algumas dessas vidrarias que são escurecidas a fim de armazenar compostos que reagem com a luz. Na realidade, existem milhares de vidrarias usadas na Química, mas, a seguir, iremos explicar mais detalhes sobre as mais usadas em um laboratório não só de Química, mas de Ciências no geral.

* Béquer: É de uso geral e pode ser utilizado em líquidos e misturas com ou sem ocorrência de reação, para dissolver sólidos em líquidos e aquecer as substâncias (colocando-o sobre uma tela de amianto). Assim, como as demais vidrarias, existem béqueres que podem comportar diversos volumes, sendo que isso está escrito na sua graduação. No entanto, o béquer não é uma vidraria de laboratório que possui a graduação com muita exatidão.

Béquer com solução líquida
Béquer com solução líquida

* Erlenmeyer: Assim como o béquer, o erlenmeyer também pode ser usado para preparar soluções e aquecer líquidos, mas também serve para armazená-las. Visto que tem a boca mais estreita, possui mais fácil manuseio, por isso, é muito utilizado em titulações. Além do mais, esse afunilamento ajuda a diminuir as chances de perda de material.

Reação química ocorrendo dentro de um erlenmeyer
Reação química ocorrendo dentro de um erlenmeyer

* Tubo de ensaio: É usado para testar reações e aquecer substâncias em pequena escala.

Tubos de ensaio com soluções em estante
Tubos de ensaio com soluções em estante

* Balão de fundo chato: Os balões de fundo chato, de fundo redondo e volumétrico são todos utilizados no preparo de soluções, pois podem dissolver substâncias por meio de agitação, para aquecer soluções e líquidos e também para realizar reações em que há desprendimento de gases. O balão de fundo chato tem a vantagem de poder ser colocado sobre a superfície sem o risco de cair e poder ser aquecido sobre tela de amianto em um tripé.

Reação em balão de fundo chato
Reação em balão de fundo chato

* Balão de fundo redondo: Conforme dito no item anterior, apresenta as mesmas finalidades que o balão de fundo chato, porém, visto que seu fundo é arredondado, ele pode ser usado em uma manta aquecedora, o que permite um aquecimento da solução por igual em toda a sua extensão. Ele é mais apropriado e é muito utilizado em processos de destilação, sistemas de refluxo e evaporação a vácuo, acoplado a um rotaevaporador.

O balão de fundo redondo não fica em pé sozinho como mostrado na figura
O balão de fundo redondo não fica em pé sozinho como mostrado na figura

* Balão volumétrico: A vantagem desse balão sobre os anteriores é que ele possui uma graduação volumétria com maior precisão. Mas o volume é único e fixo, sendo descrito na parte externa do balão.

Esse balão volumétrico possui o volume fixo de 25 mL indicado pelo traço de aferição
Esse balão volumétrico possui o volume fixo de 25 mL indicado pelo traço de aferição

* Pipeta graduada: Serve para medir e transferir pequenos volumes de líquidos. Sua vantagem sobre a pipeta volumétrica (veja a seguir) é que ela possui várias graduações ao longo do seu tubo, podendo medir volumes variáveis, enquanto a pipeta volumétrica possui somente um volume único e fixo.

A pipeta graduada mede e transfere volumes variáveis de líquidos
A pipeta graduada mede e transfere volumes variáveis de líquidos

* Pipeta volumétrica: Tem a mesma finalidade que a pipeta graduada, mas tem a grande vantagem de ter uma precisão bem maior. Todos os tipos de pipeta não podem ser aquecidos, e o líquido é puxado para dentro delas por meio de sucção provocada por um equipameno acoplado a elas denominado de “Pera”, pois tem um formato muito parecido com essa fruta.

Pipetas volumétricas
Pipetas volumétricas

* Proveta: Também é utilizada para medir o volume de líquidos e soluções líquidas, além de realizar transferências com mais fácil manuseio que as pipetas. Porém, a sua graduação volumétrica é menos precisa que a das pipetas.

Proveta ou cilindro graduado
Proveta ou cilindro graduado

* Bureta: Assim como as pipetas, a bureta mede e transfere volumes de líquidos e soluções, mas eles são colocados nela pela sua parte superior, que é aberta e maior. Além disso, ela possui uma torneira embaixo que pode ser aberta para fazer escoar o líquido de forma rápida e gota a gota, de modo que o volume transferido seja extamente o desejado. Ela é muito utilizada em titulações, colocando-se nela o titulante e fazendo o seu gotejamento sobre a solução titulada que se deseja descobrir a concentração e que está adicionada com um indicador ácido-base. Seu uso é importante nessa técnica, pois uma única gota pode chegar ao ponto de valência ou ponto de viragem do pH que é indicado pela mudança na cor do titulado.

Bureta sendo usada em titulação
Bureta sendo usada em titulação

* Funil de vidro: É usado para realizar filtrações simples com o auxílio de um filtro de papel e também para transferir soluções sem perda de material. Abaixo temos um funil de haste longa:

Funil de haste longa
Funil de haste longa

* Funil de bromo ou funil de separação: É usado para realizar a separação de misturas heterogêneas do tipo líquido-líquido. Depois de uma forte agitação da mistura dentro desse funil, ela é deixada em repouso e, com o tempo, o líquido mais denso fica totalmente separado na parte inferior e o menos denso fica na parte superior. O funil de separação possui uma espécie de torneira na parte de baixo, que, ao ser aberta, escoa lentamente o líquido mais denso para um béquer ou erlenmeyer que está posicionado na abertura embaixo. A torneira é aberta com o funil destampado e controla-se a abertura da torneira, fechando-a antes que o líquido menos denso também escoe. O líquido menos denso que ficou no funil deve, então, ser retirado pela parte superior para evitar contaminação.

Decantação de líquidos com funil de bromo ou funil de separação
Decantação de líquidos com funil de bromo ou funil de separação

* Vareta de vidro (bastão de vidro): é usada para misturar ou agitar soluções.

Vareta de vidro usada para misturar soluções
Vareta de vidro usada para misturar soluções

* Condensador: é usado para condensar ou liquefazer vapores. É muito utilizado em destilações para separar misturas homogêneas dos tipos sólido-líquido ou líquido-líquido. Essa mistura é aquecida e o líquido com menor ponto de ebulição passa para o estado de vapor, subindo para o condensador, que possui uma mangueira acoplada, sendo que a água passa pelas suas paredes e resfria o condensador. Assim, quando esse vapor atinge o condensador reafriado, ele volta para o estado líquido e é coletado pela outra extremidade. Os condensadores mais comuns são os de Liebig (retos), os de bolas e os de serpentina.

Condensador de serpentina
Condensador de serpentina

* Placas de Petri: São mais usadas em laboratórios de Biologia para desenvolver meios de cultura bacteriológicos, para observar a germinação das plantas e de grãos de pólen ou o comportamento de pequenos animais. Na Química, são utilizadas para reações em escala reduzida e também para deixar repousar cristais e filtrados.

Placa de Petri usada para meio de cultura
Placa de Petri usada para meio de cultura

* Vidro de relógio: é usado para pesar pequenas quantidades de substâncias, evaporar soluções e cobrir béqueres ou outros recipientes para não deixar o líquido ou a solução evaporar ou ser contaminada. A Placa de Petri também pode ser usada para essas finalidades. Ambas as vidrarias não podem ser aquecidas diretamente.

Cristais em vidro de relógio
Cristais em vidro de relógio

* Dessecador: é um recipiente fechado que contém um agente de secagem (desecante, geralmente sílica-gel) e que possui a tampa lubrificada com graxa de silicone para que seja hermeticamente fechada. É usado para guardar substâncias em ambientes com baixo teor de umidade.

Ilustração de dessecador
Ilustração de dessecador

* Kitassato: É usado em filtrações a vácuo, sendo acoplado por uma mangueira a uma trompa de água, que arrasta parte do ar da parte inferior do kitassato, criando uma região de baixa pressão dentro dele que provoca um processo de sucção e acelera a filtração.

O kitassato está atrás do erlenmeyer nessa figura
O kitassato está atrás do erlenmeyer nessa figura


Por Jennifer Fogaça
Graduada em Química

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